Quem já conhece os meus trabalhos, naturalmente sabe que o meu forte é a poesia, mas hoje apetece-me desabafar duma forma que toda a gente possa entender.
Um dia, eu conheci-o. Conheci o medo de perder alguém. Conheci o receio de ver alguém morrer. 6/7 anos, tu desmaiaste-me nos braços. Era pequena ainda. O meu pai bateu-te e tu caíste-me nos braços. Eu, pensei ter-te perdido. Meti-o fora de casa com apenas seis anos. Muito nova para sofrer desta maneira. Acordaste, tentei falar contigo, mas estavas tão mal tratada que não conseguias falar. Tratei de ti, pus-te a dormir.
8 anos, a tua depressão era enorme, tentaste matar-te. E, mais uma vez quase morrias nos meus braços. Naquela casa apenas se ouvia os meus berros a chamar pelo meu irmão, a pedir ajuda de alguém. Foste internada, 3 semanas sem ti.
Aos 10? Foi a minha vez, comecei a tomar comprimidos para tentar apagar a dor, a raiva, a frustração que tenho ainda dentro de mim. Os comprimidos permaneceram no meu dia-a-dia durante vários meses. Parei, durante algum tempo. 12 anos, comecei a crescer, a minha mentalidade cresceu, e por sua vez a raiva, a frustação e o sofrimento, também cresceram. Bebedeiras, ganzas. Até encontrar alguém que me fizesse parar. Depois de 'antídutos' para esquecer, veio o pior: a dor física para apagar a dor da alma. As marcas ainda permanecem em mim. Hoje, sou pura. A raiva, a dor e a frustação permanecem em mim, mas hoje, eu sei como lidar com ela, é essa a grande diferença. Hoje, o meu 'antíduto' é a folha e a caneta, um cigarro e um sorriso teu.
Anafs.
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