Olá, sejam bem-vindos ao meu mundo.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

o mar.

Era noite, o céu estava demasiado escuro, as nuvens eram pretas, o mar estava descontrolado. Chovia como eu nunca vi chover. A praia estava deserta, só lá estava eu. Eu, e o mar. O mar é a coisa mais pura, mais bela. Como nenhum humano consegue ser. O mar mostra todas as suas emoções. Se está bravo, ele mostra, se está calmo, ele mostra.
Era cada vez mais tarde, e eu estava ali, sozinha, só com o mar. Estava completamente encharcada. De repente...
- Olá! - disse um homem muito bruscamente, enquanto se sentava do meu lado e me cobria com o guarda-chuva.
- Quem és tu? - disse eu. A medo.
- Não interessa quem eu sou, estou aqui para te proteger.
Estou aqui para te proteger, disse ele... Quem seria? Que quereria de mim?
- Interessa! Quem és?! - voltei a perguntar.
Ele não respondeu. Acendeu um cigarro e ofereceu-mo. Aceitei. E voltei a atacar.
- Quem és tu?! Responde!
Ele permanecia calado. Fartei-me, levantei-me para ir embora...
- Espera, onde vais? - disse ele agarrando-me. - Fica.
- Fico quando me disseres quem és!
- Muito bem. Eu sou o teu Pai. - disse ele, num tom sereno.
- O meu Pai?!
- Sim, sou o teu Pai.
- Que fazes tu aqui? Ao fim de todos estes anos?!
- Olha para o mar. Eu sou o mar. Repara como ele nunca está quieto. Vai, e volta. Eu, sou o mar.
- Mas quem é que tu pensas que és? Deixaste-me sozinha e agora apareces-me a dizer que és o mar?! Tu...
- Calma. Ouve...
- Eu não vou ouvir nada, NADA!


E foi-se embora. Por vezes, aquilo que pensamos estar mais certo no momento, vai estar errado no futuro. Pais, mães, irmãos, amigos, namorados... Todos nós erramos. Todos nós magoamos. Todos nós somos o mar.


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