Olá, sejam bem-vindos ao meu mundo.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Real sentimento

 Já era tarde, eu estava sozinha no meio da rua, com a cabeça encostada aos joelhos, a chorar desalmadamente. Chovia imenso, estava encharcada. Começaram a sair imensos homens dos bares que entretanto fechavam, passam por mim e olhavam-me como se eu fosse lixo. No meio de tanto Homem, de tanto olhar maldoso, de tanto desprezo, agachou-se a mim um homem, pegou-me no queixo e disse:
  - Olá.
  Olhei-o meio desorientada.
  - Porque choras? - Perguntou.
  - Para... Enfim... Esquece, não entenderás. - Respondi ao baixar a cabeça.
  - Entenderei, acredita.
  - Já não sei porque choro. Choro por não ter chorado. Choro por estar sozinha. Choro por tudo o que sofri sem merecer... Choro por querer morrer, desaparecer.
  Levantei-me, corri até não poder mais, sentei-me quando já não aguentava e chorei até não ter mais lágrimas. Passado algum tempo, lá estava o mesmo homem outra vez. Vinha tranquilo, parecia não ter pressa, e saber precisamente onde me encontrava.
  - Porque fugiste de mim? Como vês, sei e saberei sempre onde te encontrar.
  - Que queres de mim? - Disse, assustada.
  - De ti? Nada, para ti? Tudo.
  - E quem és tu?
  - Um dia entendes.
  Ele era bonito, de facto. Passeámos, conversou comigo... Nunca ninguém o tinha feito. Eu era, afinal, só uma rapariga, uma miúda, sem amor, sem dinheiro, sem casa... Mas ele não quis saber de nada disso. Foi o único que não me julgou. Passaram-se dias assim. Com ele aprendi o que era sorrir, o que era ser feliz. Com ele aprendi o que é amar, o que é não sofrer, o que é realmente viver.
 Passaram-se meses, e ele perguntou-me se eu queria ir viver com ele. Ele já era maior de idade, eu tinha apenas 16 anos, e ele 21... Poderia assumir o poder da minha educação... Ele queria-o, e eu confiava nele. Quando todo o mundo o julgou por andar comigo, eu, uma rapariga que vivia numa instituição, que até ali estava sozinha... Todos o julgaram por gostar de mim, todos. E ele simplesmente não quis saber. Amou-me pelo meu interior e não quis saber de mais nada. Era um Homem rico, tanto em materiais como em emoções, e generosidade. Até julguei que estava comigo por pena, mas aos poucos ele provou-me que realmente me amava, que queria cuidar de mim.

É isto que é o amor. É encontrar o/a tal. É ama-lo/a sem medos, sem preconceitos, sem pensar no que os outros pensam. Amar é ser feliz, ser feliz é ser amado.

Anafs;

Amar não é uma doença, mas sim aquilo que me faz acreditar que ainda me resta alguma coisa na vida: amar-te

Anafs;

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